Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
PodCast Capoeira, Cultura e Sociedade

CAPOEIRA, CULTURA E SOCIEDADE

Com o Mestre Luiz Renato (DF), do Grupo Beribazu.

Estamos vivendo um momento difícil e muito específico em nossa história. Acredito que a pandemia está nos fazendo rever vários das nossas concepções, inclusive no campo da capoeira. Havia, por parte de muitos, um preconceito muito grande em relação à utilização dos recursos tecnológicos para o ensino da capoeira. Agora, durante a pandemia, praticamente toda a comunidade da capoeira está conectada, utilizando intensivamente as redes sociais. Na minha opinião, uma porta se abriu e não vai se fechar depois que a pandemia passar. Porque uma hora ela vai passar. Teremos uma nova visão da tecnologia como recurso auxiliar no ensino da capoeira.

Episódio 01:

Episódio 02:

Hoje, vamos falar um pouco das questões que a pesquisa sobre a origem da capoeira tem suscitado. Não se trata de discutir, nesse momento, a rica literatura que está sendo produzida sobre o assunto. Nosso objetivo é refletir sobre as curiosidades e os sentimentos que esse tipo de investigação desperta em capoeiristas e pesquisadores.

Episódio 03:

Neste episódio, apresentaremos para nossos ouvintes uma síntese sobre a história da postura do Estado Brasileiro em relação à nossa capoeira. Desde o início da República, o olhar do governo oscilou entre a repressão e o desprezo. Mesmo com registros de iniciativas isoladas de autoridades governamentais e políticas voltadas para a capoeira, foi só a partir da década de 2000 que as políticas públicas em relação à nossa arte passaram a ter consistência e continuidade. Para entender um pouco mais sobre este processo, escute este novo episódio de nosso Podcast. 

Episódio 04:

A chamada mundialização da cultura impôs uma série de desafios aos capoeiristas. Mas trouxe muitas oportunidades também. Para lidar com isso tudo, é preciso estar preparado. Temos um cenário em que é necessário valorizar as manifestações mais tradicionais e locais da capoeira e trabalhar, com consciência, nossa inserção no contexto internacional. A capoeira tem que ingressar nas chamadas novas agendas, abraçando, de fato, os temas sociais contemporâneos. Precisamos exigir políticas públicas eficazes para a valorização da capoeira. Mas é necessário, também, despertar o capoeirista para, cada vez mais, adotar posturas profissionais, buscando qualificação técnica em várias áreas e fortalecendo, cada vez mais, seu papel de cidadão. 

Episódio 05: 

Hoje vou falar um pouco sobre a pesquisa relacionada à capoeira no campo da ciências humanas, principalmente história e ciências sociais. Não temos a pretensão de produzir um comentário com rigor acadêmico, muito menos exaustivo. A intenção é fazer uma reflexão informal sobre algumas das obras que me parecem importantes para a leitura do capoeirista interessado no assunto. Vou tratar apenas de alguns dos autores, principalmente daqueles que deram início a um debate que, nos últimos vinte anos ganhou um grande espaço nos meios acadêmicos. Por ser uma atividade que envolve de diversas formas o indivíduo que a pratica, é natural que a capoeira estimule a interface de múltiplas áreas do conhecimento humano. E isso vem efetivamente ocorrendo, com muita intensidade desde a década de 1980. É importante identificar com clareza alguns marcos iniciais na pesquisa para compreendermos os caminhos que ela seguiu.  

Trechos desse episódio foram extraídos do artigo que elaborei em coautoria com Matthias R. Assunção, intitulado Mitos, Controvérsias e Fatos: construindo a história da capoeira.   

Episódio 06: 

No episódio de hoje, peço permissão aos ouvintes e às ouvintes para falar um pouco das reflexões que o fato de estar em dois lugares (no mundo da capoeira e na Universidade) tem provocado em mim, ao longo de toda uma vida. São, em resumo, algumas inquietações de um capoeirista-sociólogo. Trago algumas indagações sobre como é pertencer a dois universos tão distintos, mas ao mesmo, tempo conectados por linhas temáticas e pela necessidade de adaptarmos nossas leituras a um mundo em constante transformação.

Episódio 07:

Dedico esse episódio a homenagear um grande amigo, o baiano Frederico José de Abreu, nosso querido Frede Abreu. E, para fazer esse elogio à sua memória, escolhi fazer um breve um breve comentário sobre um dos seus melhores livros, o volume intitulado Capoeiras – Bahia, Século XIX: Imaginário e Documentação, Vol. I (Salvador: Instituto Jair Moura, 2005). Ao longo de toda uma vida de pesquisa e militância cultural, Frede Abreu tornou-se figura conhecida, não só nas rodas da Bahia, mas na capoeiragem por esse mundo afora. Está entre os pesquisadores (ele não gostava dessa expressão, que preferia deixar para os acadêmicos e “especialistas”!) mais conhecidos e produtivos no debate atual sobre a capoeiragem em toda a nossa história.

Episódio 08

Grande parte da historiografia brasileira se dedica a compreender as diferentes formas que a escravidão assumiu em todo País, o comércio atlântico de escravos e sua importância econômica, social e cultural. Nos últimos anos, destacam-se, também, os estudos sobre as estratégias de resistência dos cativos, das insurreições aos quilombos, que existiram em praticamente todo o território brasileiro.

Como em outros países com passado escravocrata, no Brasil ainda hoje se podem sentir os efeitos de um período de 350 anos de produção econômica baseada na mão-de-obra servil. Principalmente porque, após a Abolição da Escravatura não foi empreendida uma política eficiente de integração dos ex-escravos e de seus descendentes à vida econômica e social brasileira. Muito pelo contrário, alguns anos depois, iniciava-se uma política de incentivo à chegada de imigrantes europeus para ocupar os postos de trabalho que surgiriam com o desenvolvimento do país.

Dessa forma, a desigualdade socioeconômica que marca o Brasil contemporâneo pode ser compreendida, em grande parte, pelo longo período de vigência da escravidão associado ao fato de que as elites políticas, desde o início de nossa vida republicana, pouco fizeram para superar esse quadro.